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Escolha reprodutiva das receptoras - dicas de Brio


Escolha reprodutiva das receptoras - dicas de Brio Escolha das Receptoras

As receptoras devem ser avaliadas, previamente,  por profissionais capacitados, no intuito de retirar animais que não sejam adequados as normas mínimas para o recebimento de um embrião. Devem ser retiradas do lote de receptoras as fêmeas que no exame ginecológico apresentarense com um status negativo, ou seja, com problemas relacionados a cérvix, ovário e útero. Além da separação de eventuais indivíduos que por ventura estejam prenhez ou com infecções. O exame ginecológico confere o status de apta ou inapata ao lote de receptoras. É interessante que elas estejam ciclando e com porte mínimo que lhes confiram a idade ideal para a reprodução, gestação, parição e amamentação.                                  

Escolha zootécnica das receptoras

Também é necessário a observação zootécnica das receptoras, elas devem ser de porte adequado para que não force os aprumos dos bezerros, tornando estes animais, pós nascimento, com desvios na sua estrutura óssea, prejudicando-os pelo resto de suas vidas. As receptoras também devem ter boa habilidade materna, o que não significa excesso de leite, mas sim qualidade de leite, com um aporte suficiente para que seu produto se desenvolva de forma rápida e conveniente, o excesso de leite pode causar problemas gastrointestinais que podem interferir no desenvolvimento dos bezerros, como diarréias recorrentes. As receptoras devem ter temperamento linfático, ou seja, serem calmas e amorosas com suas crias.

RAÇAS QUE INDICAMOS:

  • meio  sangue Simental;
  • meio sangue Red Angus ou Abeerden Angus ( escolher as de maior porte );
  • as Lavínia ( Pardo Suiço com Guzerá- excelente porte e rusticidade pelo Guzerá e toda habilidade maternal e precocidade sexual do Pardo Suiço );
  • meio sangue Caracu;
  • meio sangue Hereford.

Todo cruzamento industrial pode ser usado com a finalidade de produzir receptoras, mas há raças européias que no cruzamento se comportam de forma melhor que outras quando há o propósito de serem destinadas a produção de receptoras, pois são de habilidade maternal, enquanto que outras são de habilidade paternal (para corte na sua maior magnitude ). As raças européias continentais mais usadas no Brasil como: Charolês; Limousin; Blond Aquitaine; Belgen Blue, Devon, Chianina; Piemontês e Marquegiane, são de habilidade paterna, ou seja, para produção de carne e tem como principais desvantagens num cruzamento, onde se aproveita a fêmea para receptoras, o inconveniente de se desenvolverem rapidamente no crescimento muscular, se tornando matrizes muito pesadas num curto espaço de tempo. Há raças européias continentais de uma habilidade maternal muito boa e tem dupla aptidão, é o caso da Simental, que tem como principal característica o porte, mais alto, e a boa produção de leite, mas também pode se tornar um animal pesado se não for rapidamente trabalhado. O interessante da Simental é que ela pode atender bem a ânsia do produtor em ter uma boa mãe e ainda servir para a produção de carne na hora do descarte, após a desmama do produto. Além da Simental temos a Pardo Suíça que pode ser também aproveitada numa versão mais de carne quando a linhagem for Brauview, no cruzamento com o Brauview as vacas se tornam similares a raça Simental; quando for só de aptidão leiteira as receptoras terão uma musculatura inferior, porém mantendo sua principal característica de boa mãe.

Quando falamos de raças Britânicas saímos do continente e vamos atè a ilha, no Reino Unido, e nos confrontamos com raças de excelente habilidade maternal e precocidade sexual como o Aberdeen Angus que tem animais recessivos que originaram a versão vermelha denominada Red Angus; além do,  Shorton e o Hereford como principais raças. Todas estas raças têm muita fertilidade e boa maternidade, temos que nos atentar, porém é na escolha de indivíduos, touros, de porte maior, para produção destas receptoras afim de obtermos meio sangues de pernas mais compridas, não possibilitando então problemas físicos nos membros anteriores dos produtos, que para mamarem precisam abrir estes membros, para que possam alcançar os peitos das receptoras, este esforço causa grandes problemas nos aprumos. Ainda no Reino Unido temos uma outra raça conhecida no Brasil, mas que é de aptidão paterna (carne) é o Devon, se assemelha as raças de corte da Europa continental: Limousin, Charolês, Blound Aquitaine etc.

Estas raças paternas continentais e britânicas servem para receptoras também, mas não são as ideais, as ideais são as de habilidade maternal, sejam britânicas ou continentais, assim também como as de dupla aptidão. Mas, como o calcanhar de Aquiles de qualquer programa de Produção de embriões  in vitro é a receptora, então nos deparamos com situações onde o criador não tem opções de compra, ou das ½ sangue ideais ou de produzi-las, daí a necessidade de usarmos o que temos e sabemos que outras cruzas ou até mesmo o uso de animais anelorados ou azebuados tem servido para o nosso propósito que é o de emprenhar esta fêmea com um embrião, no entanto alguns cuidados devem ser seguidos, como a escolha de fêmeas Nelore ou Guzerá que tenham sinais para um melhor aporte de leite, ou que já tenham criado e tenham demonstrado esta qualidade. O uso da fêmea Tabapuã também demonstra um bom resultado, tanto as mais puras ou meio sangue Nelore (Tabanel), este grupo azebuado entra no mesmo resultado da meio sangue Nelore com Guzerá ou tri-cross, sendo a terceira raça um zebuíno, apesar de serem mais tardias quanto ao início da sua vida reprodutiva, comparando coma as meio sangue Nelore  X Europeus, mesmo assim, são muito bem adaptadas, estes outros cruzamentos entre zebuínos.

Há também alguns cruzamentos sintéticos que também servem como receptoras como o Girolanda, o inconveniente é a produção de leite que pode ser muito maior que a necessidade do produto, causando problemas secundários aos bezerros, além das receptoras Girolandas poderem apresentar problemas na estrutura da cérvix, herança da raça Gir, cévix tortas que podem dificultar ou impossibilitar a transferência dos embriões, além de atualmente serem muito valorizadas, graças ao valor agregado ao gado leiteiro.

Atualmente há raças que impuseram a condição de ter como receptoras animais registrados (pode ser PO, LA ou registro para receptora), sendo que sejam exclusivamente zebuínas, aneloradas, nelore, guzonel, tabanel, ou seja, azebuadas. As raças representadas, pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebú), cobram um valor por receptora registrada. As raças que tem essas restrições para as receptoras são: Brahman, Cangaiam, Indubrasil e Nelore, e foi a partir de 1º de janeiro de 2014, através do artigo 105 do regulamento da ABCZ, regulamentado esse uso, mas acabaram liberando o uso de animais cruzados (taurinos x zebuínos ou taurinos x taurinos) nos processos de TE e FIV, mas os valores para receptoras cruzadas é bem maior do que o valor para as zebuínas, mas pelo menos há possibilidade de usá-las, pois até 2013, a ideia é que somente poderiam ser usadas as zebuínas. É bom lembrar, que a zebuína bem escolhida, tem a capacidade de criar muito bem seus bezerros, portanto, elas podem ser usadas sem nenhum problema, contra indicação, dúvida ou receio. Quanto a escolha de boas receptoras, seja por dentro ou por fora, deve sempre ser feita por um bom técnico. 

Leia nosso Guia do Criador - sucesso com os embriões!!

Ms. Juliano Franco de Souza

    Médico Veterinário