Logomarca Brioembryo

Eficiêcia reprodutiva


Eficiêcia reprodutiva Eficiência reprodutiva

EFICIÊNCIA REPRODUTIVA Eficiência, esta é a grande palavra da vitória, e pra ter sucesso todos os dias, temos que ser eficientes ininterruptamente. Na agricultura a eficiência significa falência ou não, o agricultor sabe que para produzir tem que seguir alguns passos indispensáveis e quanto mais disciplinado for, melhor será sua colheita, isso se os fatores climáticos forem favoráveis. No caso da pecuária, após muitos anos, alguns pecuarista não administradores, percebem que nunca tiveram lucro com a atividade, a pecuária da um prejuízo mascarado ao mal produtor que se retroalimenta de financiamentos, ou seja, a pecuária é resiliente, o gado aguenta muito desaforo e o pecuarista amador sobrevive. Na agricultura é diferente, os investimentos são altíssimos e o retorno, seja de lucro ou prejuízo é instantâneo, nesse caso ou você é profissional na atividade ou não consegue permanecer nela. Com a globalização do mundo, a competitividade aumentou e todos os ramos tiveram que se enquadrar nas mudanças e de certa forma, aprimorarem seus serviços e alternativas de trabalho, tudo isso para continuarem no mercado e a pecuária vem sentido essas mudanças, pois o lucro menor, exige da atividade, uma maior eficiência. Ser eficiente não depende de governo, as más gestões públicas que interferem no lucro do produtor, podem piorar a situação, obviamente que um produtor eficiente, deve se esmerar cada vez mais para manter sua eficiência, principalmente nos momentos difíceis, já o produtor com baixa eficiência, está fadado a minguar e vender sua propriedade. Eficiência significa ter gordura para tocar seu negócio nas épocas difíceis de governos inoperantes, guerras, desastres climáticos. O Brasil é o país que mais reúne condições favoráveis para criação de gado, temos tudo sobrando, em abundância, riquezas de solo, água, clima, mas não temos uma pecuária 100% instruída e nem um governo condescendente com a atividade, mas podemos driblar e minimizar essa problemática trazendo instrução ao pecuarista que esteja sedento por informação, por conhecimento e ao mesmo tempo humilde em aceitar suas limitações, com isso seguimos o rumo da eficiência, afinal, desde que o Brasil foi descoberto, vivenciamos desmandos públicos e nem por isso deixamos, hoje, de ter um plantel com mais de 200 milhões de cabeças. A atividade por si só é auto regenerativa, não há atividade com maior liquidez que a bovinocultura, é mais seguro que a poupança e rende 5 vezes mais, isto tudo em cima do convencional. Não é possível esconder a ineficiência pecuária nos governos, pois estes sempre foram de péssimos a regulares. Graças aos regulares, ainda tivemos a introdução do plano Real, estabilização da economia e abertura de mercado, acredito que foram as maiores mudanças positivas alcançadas na economia brasileira e que nos fez chegar até aqui com a gordura que agora se esvai por quase completa, mas por sermos uma região pecuária, ainda conseguiremos sustentar os alicerces do País e não sofreremos tanto, graças ao agronegócio que sangra, mas não morre. O meio ambiente é o ponto de maior influência na eficiência reprodutiva, influência mais que a herança genética, ou seja, uma vaca Holandesa, filha de um touro campeão e uma matriz com média de 60 kg de leite por dia, nunca dará seus 60 kg de leite no clima tropical, mesmo se alimentada da melhor ração e volumoso existente. O estresse térmico atrapalha o desempenho desse animal que tem seu organismo adaptado para o clima temperado. A herança genética é de baixa herdabilidade, assim como a maioria das características reprodutivas. É por isso que as vezes você tem melhores resultados com seus animais azebuados, do que seu vizinho que investiu muito em genética e se esqueceu do ambiente favorável que as raças europeias exigem. Toda melhora tecnológica só deve ser efetuada com um pacote de outras mudanças ao lado. O primeiro ponto é ajustar a raça que você cria, depois fornecer uma alimentação equilibrada, pois a nutrição é um dos fatores que possuem mais peso para aumento da eficiência reprodutiva. Com a raça ajustada ao seu clima, a nutrição equilibrada, falta ainda as técnicas de manejo, estas são algumas: 1- Controle zootécnico do rebanho. Os animais devem ser numerados, o criador deve ter total domínio em saber a quantidade e aonde estão cada indivíduo do seu rebanho. Infelizmente, muitos não sabem o que tem, apenas tem uma estimativa e essa falta de controle leva a prejuízos por ele desconhecidos. Toda propriedade deve ter um mapa evolutivo do seu rebanho, com total controle das mortes, nascimentos, vendas e transferências para outras fazendas, além das mudanças de categorias. O mapa evolutivo deve ser categorizado, controlado e fiscalizado mensalmente. 2- Uma estação de monta bem delimitada, na época de melhor oferta de forrageiras aos seus animais, ou seja, na época das chuvas. O período de 4 meses para as vacas e 3 meses para as novilhas, com algum tempo esse período deve ser reduzido. Só consegue fazer isso quem é realmente eficiente, conheço vários casos de sucesso, inclusive com pequena estação de monta com 70 dias para o rebanho todo, com média de 91% de prenhez. Quem faz duas estações de monta, dá chances ao seus animais e não tem um controle adequado da sua reprodução, isso acontece muito com o gado registrado, onde os criadores não querem descartar as matrizes. O intervalo entre os partos deve permanecer entre 12 a 14 meses. A estação de monta só tem mérito se o criador descartar as fêmeas que não emprenharem nessa estação, caso contrário, se torna somente mais um drible psicológico da falsa ideia da tarefa feita. 3- Fazer exame ginecológico nas novilhas, antes de entrarem na estação de monta, descartando as problemáticas 4- Além do descarte das matrizes que não emprenharam no período de monta, descartar todas as fêmeas abortadas ou que apresentaram prolapso de útero, ou outros problemas físicos. 5- As fêmeas que pariram animais fracos e desmamaram produtos com menos de 40% do peso vivo da matriz, também devem ser retiradas do plantel, vacas com baixa habilidade maternal. 6- Vacinas reprodutivas sendo administradas a cada 6 meses no rebanho, touros e matrizes, principalmente contra a leptospirose. No gado leiteiro é importante usar além da lepto, vacina contra outras doeças causadas por IBR, BVD, IPV. Evitando abortos. Além dessas vacinas a vacina contra brucelose dos 3 a 8 meses de idade, em todas as fêmeas, é obrigatória. Lembre-se, não existe vacina cara, mas sim doença cara. 7- Manejo de curral e entradas e saídas de pastos, a condução do gado deve ser bem feita, o gado não pode passar amontoado em canselas, pois as batidas na região do flanco levam a abortos posteriores. Treinar os vaqueiros e fiscaliza-los é essencial. 8- O manejo nutricional adequado, já sugerido, é a oferta de sal mineral, com no mínimo 90% de fósforo, sendo 100% a fonte de fosfato bicálcico. No mínimo usar sulfatos ao invés dos óxidos e de preferência os quelatados, para os outros minerais. É só consultar o rótulo do sal e verás a composição do sal. Não utilizar sal que tem fontes alternativas. Capim e água a vontade, com sal sendo colocado 3 vezes na semana (segunda-quarta e sexta) numa quantidade quem nem falte ou sobre no cocho, evitando desperdícios, envelhecimento, do mineral. Os cochos devem ser cobertos evitando molhar o sal mineral, utilize sempre um sal pronto para uso no cocho evitando os erros da mão de obra na hora da mistura. Respeitar a área de cocho por quantidade de cabeças no lote, 4 a 5 cm lineares por cabeça, ou de acordo, com o bom senso do criador. Lembrar que não existe produto bom ou ruim quando este não é colocado no cocho ou bem armazenado. Cuidado com os produtos baratos, eles não são por acaso, exija qualidade para ter mais bezerros e ser mais eficiente. 9- Iatf para todas as fêmeas paridas após 35 dias de parto. Usando protocolos, de acordo, com a orientação do médico veterinário. É possível fazer a IATF e depois um repasse com touro, ou outras combinações que podem ser feitas, de acordo, com a necessidade de cada criador. 10- Para o criador que não usa IATF, fazer o manejo de observação de cios por 45 dias, observando 2 vezes ao dia, como o preconizado pela técnica, usando rufiões na medida de 1 rufião:40 fêmeas e depois repassando com touro também. 11- Para o criador que não usa a técnica de inseminação, fazer andrológico nos touros 1 mês antes do início da estação de monta, descartando os touros com problemas, ou de acordo, com a instrução do Mèdico Veterinário que assiste a fazenda. Há touros que são inaptos temporários, entre outras situações. O touro com andrológico pode ser usado com 40 vacas e se tiver o teste de libido e o manejo adequado, pode ser capaz de cobrir até 100 vacas por estação, mas somente com a orientação correta do profissional. Os vaqueiros devem rodar os lotes pelo menos cada dois dias, na busca de problemas ocasionados por disputas entre os machos. Os touros aspados não podem ficar com animais mochos, nem touros velhos com os novos, a hierarquia sempre existirá nos lotes, entre os touros e ela deve ser minimizada para originar uma harmonia, possibilitando0 trabalho correto desses touros, sem acidentes, com o grupo de vacas. No caso das matrizes, há técnicas reprodutivas para acelerar a sua ciclicidade pós parto, como: massagem uterina, mamada controlada, shangue e desmama precoce, no caso desta última, dependendo da região não compensa o custo do arraçoamento. Alguns lembretes: A eficiência reprodutiva (ER) é medida pelo número de bezerros desmamados por ano, em relação ao número de fêmeas em idade de reprodução. E.R. = N.de bezerros/hectare/ano Devemos estabelecer índices superiores a 85% de eficiência reprodutiva embora a média em criações extensivas seja bem menor. Na inseminação natural a taxa de não retorno ao cio (prenhez ao primeiro serviço), para ser considerada boa, deve ficar acima de 75% (a média está em torno de 40-50%). Já na IATF, as fêmeas boas, de estação de monta, emprenham com mais de 60% em uma única inseminação, essa média abaixa, de acordo, com a qualidade da fêmea e do manejo, isso acontece também na inseminação tradicional. Índice 1 serviço = N. de vacas prenhas x 100 N.de animais inseminados O índice de serviço/concepção (inseminação das vacas e prenhas) pode ficar abaixo de 1,5/1,7 dose por prenhês (a média está em torno de 1,8-2,2). É calculado dividindo o número de doses utilizadas pelo número de vacas prenhas. É bom analisar o sêmen antes da utilização na inseminação, há muito sêmen com problemas de altas patologias, principalmente de acrossomo, que são disponibilizados no mercado, por isso que um inseminador experiente tem diferentes resultados na inseminação, com o uso de diferentes touros num mesmo lote. Dose de sêmen = unidade de Sêmen N.de vacas prenhas O intervalo entre partos abaixo de 13 meses já é considerado muito bom (ideal 12 meses, sendo a média de 14 meses). O intervalo entre parto/prenhes deve ser entre 35-100 dias (onde a média é 120-150 dias e muitos casos 240 dias). Portanto, vacas que concebem (emprenham) no 85º dia pós parto, darão cria a cada 12 meses. Devemos considerar também o peso destes bezerros quando da desmama (habilidade materna) e a área utilizada para a sua produção. Só assim poderemos avaliar a P.C. (produtividade da cria) em Kg de bezerro desmamado/ hectare/ ano que deve estar, no mínimo, por volta de 200 kg de peso vivo/hectare/ano. P.C.=Kg de bezerro desmamado/hectare/ano Resumindo, podemos ter as Metas Básicas Mínimas para Fêmeas de Corte em Regime de Pasto, com os manejos: nutricional, sanitário e reprodutivos adequados. As metas são: - Início de reprodução - 18 meses de idade - Intervalo entre partos - abaixo de 14 meses - Peso das novilhas - 300 kg aos 18 meses - Touro com andrológico – 1touro:40vacas - Doses sêmen por prenhez - 1,3: prenhez - Peso das vacas paridas - 450 kg - Estação de monta - 4 meses vaca e 3 meses novilha - Porcentagem de prenhez anual – acima de 86% - Período de gestação - 275 a 300 dias - Mortalidade máxima - 3% (incluindo abortos e natimortos) - Mortalidade após nascimento até desmama= 4% máxima - Peso ao desmame mínimo- 220 kg No caso do gado de leite, o manejo é diferenciado, a nutrição também e as metas são em cima de quilos de leite por lactação, lembrando que para vaca produzir há necessidade que ela emprenhe e vacas de alta lactação exigem maiores cuidados nutricionais e um clima mais adequado ao seu bem estar, afinal o estresse térmico da nossa região é o grande vilão. Por isso deixe muitas árvores, ou as plante em seus pastos, pois tanto para leite como para carne o bem estar é essencial. Agora, se você não quiser fazer quase nada, pelo menos aumente aquela historinha de sombra e água fresca, para mais - Sombra, Água Fresca, Capim bom e Sal Mineral em qualidade e a vontade. Não faça nada sozinho se tiver dúvidas, utilize os técnicos responsáveis, todas as dicas são no intuito de aumentar o desfrute de sua fazenda. Sejas disciplinado, determinado e humilde que você terá sucesso no seu negócio ! Lembrem-se, vamos fazer nossa parte com fundamentos sólidos e embasados nas técnicas, afinal, para cobrarmos uma gestão pública melhor, temos que dar o exemplo. Um grande abraço e vamos continuar alimentando nossos irmãos e os sonhos de um dia realmente desfrutarmos de uma nação digna á altura de suas dimensões e de nossas ações !! Juliano Franco de Souza