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Biotecnologias, entenda melhor!


Biotecnologias, entenda melhor! Biotecnologias, entenda melhor!

Biotecnologias, entenda melhor e encurte o futuro, produzindo mais hoje !

 

Muitos querem utilizar essa ferramenta, a Biotecnologia, existem várias para auxiliar o empresário do campo e é essencial saber como funciona cada biotecnologia voltada para a reprodução e avaliar se a sua propriedade pode assimilar bem essa ferramenta como forma de alavancar sua produção.

Sabemos que porteira adentro, cada propriedade tem suas fraquezas, suas peculiaridades, positivas e negativas e teoricamente a pessoa que deve conhecer essa rotina é o proprietário. Obviamente que ninguém é obrigado a saber tudo, mas um bom empresário, administrador, deve imaginar a hora certa para procurar ajuda, auxílio de um bom técnico, uma pessoa capaz, para poder auxiliá-lo. Da mesma forma que um doente tem que procurar um médico, uma fazenda quando pensa em modificar seus números deve procurar um bom técnico e correr atrás dos resultados positivos. Hoje nosso Pais, não sofre tanto com a corrupção (existente desde o descobrimento do Brasil), mas sem dúvida alguma, padece fortemente com a má gestão, a falta de habilidade em delegar poder ás pessoas capazes e eficientes. Para que sua fazenda não seja um resumo do Pais atual, você deve estudar e procurar pessoas habilitadas a lhe auxiliar.

As biotecnologias voltadas para reprodução são de essencial valor ao criador, desde que bem implantadas e administradas, caso contrário, será mais um erro de gestão, por isso irei passar algumas dicas mais técnicas para uma compreensão maior dessas ferramentas.

Biotecnologias da reprodução:

1-      Inseminação Artificial: muito conhecida e vem se popularizando no Brasil, mas mesmo assim o gado inseminado não ultrapassa os 10% da população de matrizes bovinas. É possível ser feita da forma tradicional, com observação de cios diários e inseminando 12 horas após o cio da matriz, infelizmente com os problemas das leis trabalhistas no Pais e a falta de mão de obra qualificada e com perfil, uma opção que ganha espaço a cada dia é a IATF( inseminação artificial em tempo fixo), geralmente terceirizada, adianta o objetivo da estação de monta e minimiza o trabalho, o custo dos hormônios é compensado pela aceleração das prenhezes que se sucedem em grandes quantidades num mesmo dia.  A análise de uma dose de sêmen, pós compra, é muito importante, pois diminui as chances de erros e elimina o problema da não prenhez por essa variável. O uso de sêmen sexado é oneroso e ainda é um problema, quanto ao resultado de prenhez esse custo se torna mais alto pela baixa taxa de concepção. Investir em sêmen de touros que dão mais prenhezes é uma alternativa louvável aos bolsos. Os protocolos hormonais variam de valores e aparentemente parece tudo uma receita de bolo, mas na verdade as diferenças em resultados melhores estão nas observações dos bons técnicos que modificam protocolos e personalizam estes para os diversos tipos de categorias existentes na fazenda. Há diferenças também entre as empresas de hormônios e a qualidade dos produtos, estes devem ser sempre conferidos por quem entende e não por quem vende. Bons técnicos e bons hormônios tem preço diferenciado, mas estes existem no mercado, porque tem gestores que lucram mais com eles e os preferem.

2-      Transferência de embriões, de vaca SOV, método tradicional: No início da década passada, ainda era popular essa técnica, mas caiu por terra, pois a hormonioterapia utilizada na doadora de embriões, prejudicava seu organismo, trazendo patologias como cistos ovarianos, mucomentra e a infertilidade. Naquela época, fazíamos uma superovulação (SOV) nessa matrize doadora, para que ela produzisse o maior número de óvulos e esta era inseminada, para ela mesmo fazer seus embriões, após 7 dias da inseminação, ela era coletada, lavávamos o útero e retirávamos os embriões para imediatamente estes serem transferidos ás barrigas de aluguel ou receptoras. Esse procedimento, salvo raras exceções, eram realizados a cada 60 dias. Ainda existem regiões no Brasil que fazem as coletas de doadoras SOV, mas está em desuso pelos seus efeitos deletérios a matriz.

3-      Produção de embriões in vitro (PIV) conhecido por muitos como FIV ( fecundação in vitro): essa técnica vem se popularizando cada vez mais e suplantou a técnica descrita no item 2, porque ela não usa hormônios nas doadoras, é um método natural onde o técnico habilitado, aspira (OPU –sigla em inglês) os folículos existentes nos ovários e esse aspirado traz o oócito ou ovócito, ou seja, um óvulo imaturo ainda, esse oócito é maturado in vitro (MIV), depois faz-se a fecundação in vitro (FIV), em seguida o cultivo in vitro (CIV), após 8 dias da aspiração (OPU), os embriões são envasados e transferidos para as receptoras. Tanto no item 2 como nesse, as receptoras são preparadas, iniciada a hormonioterapia, com antecedência que varia conforme o protocolo do técnico, em 9 ou 10 dias antes da aspiração. Procurar usar sêmen de touros que dão mais embriões na FIV, os melhores e piores touros, a maioria é bem conhecida. Se você quer fazer cruzamento industrial e pretende ter somente bezerros machos para o abate, você pode utilizar embriões de FIV, com sêmen sexado de touros realmente melhoradores para ganho de peso, os resultados são bem melhores com embriões sexados do que com sêmen sexado na IATF e os valores se tornam mais condizentes com a realidade na produção de carne, é possível resultados acima de 50% com FIV, pois estes embriões advém de oócitos de ovários de frigoríficos, onde são colhidos ovários de fêmeas Nelore e utilizamos sêmen sexado da raça almejada pelo produtor. Como conseguimos usar pouquíssimas doses de sêmen, um touro melhorador, com preço muito alto dessa dose, pode ser utilizada na FIV, pois com uma dose podemos fazer dezenas de embriões, diferente da IATF, onde cada vaca tem que usar apenas uma dose e com isso os criadores acabam comprando sêmen de touros não tão bons, por terem um valor menor. Dessa forma, utilizando sêmen de touros melhoradores, sexado, de touros caros, podemos utilizar o que há de mais produtivo no Europeu por um custo menor. Hoje um embrião sexado sai pelo mesmo custo de uma boa dose de sêmen sexado, por volta de R$ 70,00, ou seja a prenhez por R$ 140,00 em média.  Com uso realmente de touros bons europeus, no cruzamento industrial, faz-se real diferença no produto obtido, caso contrário é melhor usar um bom Nelore, pois há bons Touros Nelore com alto desempenho na produção de carne.

Pensando no embrião das raças puras, onde se faz a aspiração na doadora, a prenhez varia de valores, de acordo com a quantidade de prenhezes realizadas, mas o custo é totalmente positivo. Infelizmente vemos poucas pessoas fazendo acompanhamento sério de melhoramento animal, mas o que é pior, é ver as que fazem, mas muitas vezes não utilizam mão dessa técnica que aceleraria de forma vertiginosa, o quê foi descoberto de melhor dentro dessas propriedades que fazem melhoramento. Há outras como as Agropecuárias Jacarezinho e Maratá que utilizam dessas ferramentas e enchem o mercado e seus planteis com o que há de melhor, perpetuando matrizes melhoradoras com reprodutores excepcionais através da FIV.

Existem mais biotécnicas, voltadas para reprodução animal, mas ainda não são tão populares como essas 3 citadas, mas para conhecimento é interessante a divulgação de outras que já estão em uso e tem resposta a campo, como por exemplo: a clonagem, muitos não entendem o porquê de clonar um animal, outros acham uma perda de tempo, mas é interessante salientar que através da clonagem é possível replicarmos animais raros em escala maior, animais que tragam os mesmos genes almejados para a produção e dessa forma, aumentarmos planteis em cima desses genes. Também tem o lado pessoal de cada proprietário, muitos querem ter seu animal eternizado nos clones, principalmente nos pequenos animais de estimação. A clonagem abre várias portas para garantir a produção de animais transgênicos (outra biotécnica), animais que podem produzir em sua carne e leite, produtos que possam ser utilizados na indústria farmacêutica, dessa forma, produzindo substâncias quase impossíveis de serem sintetizadas ou extraídas de outros humanos (questões éticas), então a clonagem tem centenas de indicações e a maioria delas é muito nobre. No Brasil, já existem centenas de animais clonados e as associações estão registrando estes animais. Outra biotécnica que já chegou no campo é o uso de células tronco ( stem cell ) em processo de regeneração tecidual é possível visto que estas células possuem a característica de serem indiferenciadas ( totipotentes ). Ou seja, quando estimuladas são capazes de se diferenciar e se especializar em qualquer tecido do organismo animal, além de servir como agente indutor e sinalizador do próprio organismo nos processos de regeneração tecidual. Até a década passada, acreditava-se que estas células eram encontradas apenas em embriões, nos estados iniciais do seu desenvolvimento. No entanto, com o desenvolvimento científico nesta área, foi visto que as células-tronco podem ser obtidas a partir de: tecidos de fetos e indivíduos adultos, como o cordão umbilical, a medula óssea e o tecido adiposo, o que permite o tratamento com células tronco autólogas em indivíduos adultos. Assim, devido à facilidade de acesso a estas células no tecido adiposo de indivíduos adultos e aos benefícios observados na terapêutica veterinária, a utilização de células-tronco com o intuito de auxiliar a regeneração de tecidos lesionados é extremamente vantajosa, principalmente no tratamento de lesões do aparelho locomotor de equinos: tendões, ligamentos e fraturas ósseas de eqüinos, com resultados extremamente positivos. O criador pode inclusive armazenar as células tronco de seu animal para uso no futuro, quando necessário.

Essas são algumas biotecnologias usadas no campo, umas mais disseminadas, outras logo serão, mas é interessante lembrar ao criador que este, pode aumentar sua perspicácia e eficiência na produção, utilizando mais a mão de obra qualificada, trabalhando com Médicos Veterinários que possam fazer diagnósticos cada vez mais precoces de gestação em seu rebanho (25 dias pós monta), com modernos equipamentos, como os ultrassons, já bastante utilizados em propriedades mais antenadas, mas há outras utilizações que são passíveis também de uso do ultrasson, como por exemplo a sexagem fetal, onde as matrizes podem ter suas gestações sexadas após 60 dias e o criador pode transferir a vaca prenha para retiros onde somente nascerão fêmeas ou machos, talvez auxiliando o manejo de determinadas propriedades, desta forma, até o consumo de sal e o tipo de pastagem pode ser escolhido, onde as matrizes prenhas de bezerros machos poderão ir para pastagens melhores, pois necessitarão de melhores tratos, pois ao nascer os machos consomem mais leite destas matrizes, ou seja, há como se prever o futuro de forma melhor, se este for desvendado antecipadamente, através de um simples exame de sexagem.

Como sempre digo, não adianta termos uma biotecnologia que seja para aumentar a produção ou até para tratamento, sendo usada, se nem o manejo nutricional está sendo bem feito, por isso o “arroz com feijão” deve ser sempre lembrado e exigido, nunca usar sal mineral fraco, com baixo teor de fósforo para vacas, que essa fonte de fósforo seja sempre 100% fosfato bicálcico, não esquecendo de colocar esse sal no cocho, nem muito nem pouco, somente o suficiente. Enfim, para caminhar para frente, é necessário não estragar o caminho por onde você passou, faça tudo passo a passo, mas faça bem feito. Lembrando que o Bom senso leva a bons técnicos, bom manejo, boas biotécnicas e bons resultados!

 

Juliano Franco