Logomarca Brioembryo

A embriologia é mais que uma Ciência é uma arte!


A embriologia é mais que uma Ciência é uma arte! Embriões PIV, Laboratório Brio.

A embriologia é mais que uma ciência, é uma arte e todo artista deve trabalhar pelo amor a sua causa, essa deve ser a premissa maior. Os grande inventores, pensadores e cientistas, criaram ao lado do simples, muitas vezes numa rotina onde algo inusitado acontecia, daí surgiram grandes conquistas. Um artista não pode ver obstáculos, mesmo que eles existam e sabemos que as intempéries da nossa arte sempre ocorrerão. Falar em arte é citar o amor, a ciência racional deve ter grande pitada desse sentimento que é a força motriz dos pensamentos, das dúvidas, argumentações e questionamentos. Aliado a esse grande tempero vem o suor diário do cientista, a opinião, determinação e fé. Talvez falte fibra numa parcela dos nossos embriologistas, assim como nas diversas outras ciências, talvez a massificação e até deturpação do ensino, tenha criado fábricas de artigos científicos com pouco valor, portanto, com pouco amor. Não somente a embriologia padece uma crise cultural mundial, mas todas as outras ciências e nada mais louvável que esse bate papo informal, talvez criar um grupo com interesses mútuos e com amor a embriologia, é algo similar ao que Deus fez ao reunir pessoas de uma família e pedir a Noé que fizesse uma arca e reunisse todos os outros animais – puros por origem- salvando poucos no planeta, somente os que tinham o perfil da salvação. Desta forma, me colocaria lisonjeado em fazer parte dessa arca e talvez, humildemente, dar meu quinhão de contribuição, almejando trazer alguma salvação futura aos próximos que vierem. Precisamos encontrar agora esse “new” Noé.

A embriologia vive um momento de massificação, ao mesmo tempo que aconteceram muitos progressos nessas 4 últimas décadas, muitas perguntas ainda não foram respondidas, dando uma ideia de incapacidade para muitos técnicos. Patinar em achados não seria uma boa ideia, mas tentar aperfeiçoar metodologias, torná-las mais simples, abreviar etapas, talvez seja uma forma de inovar também. Tudo que já foi conquistado é de suma importância, pois nos dá subsídios para alavancarmos novos conceitos e novas conquistas a embriologia não pode perder seu dinamismo seja na sua forma mais simplista ou na mais sofisticada.

O egoísmo, a busca pelo ineditismo, a mantença dos segredos e o dinheiro, não podem ser as premissas maiores, afinal, muitas desses adjetivos afastam as genialidades. O verdadeiro artista não se calcifica, pelo contrário, vive os minutos intensamente.

Podemos inaugurar uma nova era, pode ser agora, imitando os intrépidos pioneiros de outrora, auxiliando na história. Temos o dever de driblar sistemas perniciosos e colocar nossas forças em temas atuais ou mesmo antigos que nunca se desenrolaram, mas temos que pensar em conjunto, a globalização dos pensamentos e a união dos esforços faz a força do grupo, desta forma, somos capazes de encurtar séculos de pesquisa encapsuladas. Quem ganha com isso? O artista, pois esse se alimenta do sucesso da humanidade, essa colheita não tem preço!

O caráter ilibado de um grupo traz compensações que o dinheiro não paga, as benécis são recompensas naturais e a busca de respostas para os questionamentos são os pivôs da criação.

Há questões que não podem ser tidas como absolutas, pois o dinamismo traz melhorias nos processos existentes e abrem portas ás novas conquistas. Sugiro tópicos na PIV bovina que atrapalham produções no mundo todo:

1-      Meios de produção de embriões in vitro;

2-      Interação touro –vaca e falha na produção;

3-      Baixa taxa de fecundação e produção de embriões in vitro, causa touro;

4-      Vacas que produzem belos embriões, mas com taxas baixas de prenhez;

5-      Criopreservação de embriões nas diferentes espécies de mamíferos;

Para termos um embrião, necessitamos de um espermatozóide, mesmo não sendo a área do embriologista, sabemos que nenhum embriologista trabalha sem usar o sêmen, a etapa da FIV é tão importante quanto todas as outras, então não podemos deixar de lado todos as suas nuances e embriologistas interessados em dar poderes maiores aos piores machos, devem ser muito bem vistos e enaltecidos, principalmente no humano, onde as maiores falhas advém de problemas da fertilidade do Pai. Na produção de embriões in vitro de bovinos, diferentes protocolos na FIV auxiliam numa melhor performance na produção desses embriões, mas muitas lacunas estão abertas e não acredito que soterrá-las seja uma solução. Da mesma forma, o embriologista deve pensar no ambiente onde esse embrião irá se fixar, mecanismos para aumentar essa comunicação entre embrião e a mãe, são situações que auxiliam num sucesso maior no reconhecimento materno-fetal, afinal o embrião não é nada sem uma boa mãe e vice–versa. O reconhecimento materno-fetal e estratégias para auxiliar esse mecanismo são vitais para um melhor resultado, criar um super-embrião que sinalize melhor sua chegada no ambiente uterino é um grande avanço, científico e comercial. Meios de produção melhores, levam a embriões mais vigorosos e trazem suporte ás outras biotecnologias também.

A clonagem em âmbito mais simples, com uma roupagem diferente abre uma grande possibilidade de crescimento comercial e além de uso ás outras biotecnologias, podemos criar um ciclo virtuoso de produção em escala de indivíduos merecedores dessa replicação, isso é muito interessante na bovinocultura e abre uma fase que pode ser inaugurada sem medo. Com o avanço da HMC ( Hand Made Clone), novos paradigmas poderão ser vislumbrados e uma nova era pode se iniciar.

No mundo comercial da PIV de bovinos, bons resultados significam, muitas prenhezes, não podemos pensar em desenvolver técnicas que tragam apenas uma amostra de produto, mas sim aperfeiçoar técnicas para que elas produzam porcentagens compensatórias na rotina diária dos laboratórios. Temos também que pensar de forma globalizada, pois não é somente produzir muitos embriões, mas sim embriões vigorosos e que produzam animais perfeitos, sem todos os problemas que alguns laboratórios ainda convivem.

No Brasil há laboratórios famosos que atualmente passam por problemas do início da PIV comercial, década de 90, com diferencial de altas taxas de embriões, de prenhezes, mas com os mesmos problemas do século passado: gigantismo, úraco persistente, defeitos congênitos, morte súbita etc.

Sugiro que devamos produzir embriões mimetizando de forma melhor o ambiente natural, procurando cada vez mais transpor as contaminações e imitar de forma melhor o ambiente tubárico e uterino, nem que para isso precisemos recomeçar tudo que já foi feito, mas com um grande diferencial, afinal sabemos o que tem em muitas curvas dessa estrada, apesar que, devemos estar cientes que iremos derrapar em tantas outras curvas.

Nossa missão é produzir, ou seja, gerar muitos embriões saudáveis que levem a indivíduos perfeitos, se não estaremos reproduzindo ilusões convertidas em decepções ao nascimento e isso serve pra qualquer espécie. Nossa responsabilidade é maior, não é simplesmente criar, mas sim criar bem e que esse bem seja entendido de forma ampla e generalizada!

 

 

Juliano Franco de Souza

Laboratório Brio embryo